1.Porquê esta regra tão estrita?
A pétanque distingue-se dos outros jogos de bole (bole lionesa, jogo provençal, longa) precisamente pela sua proibição do movimento antes do lançamento. Onde no jogo provençal se tem o direito de dar três passos antes de atirar, na pétanque joga-se de pés juntos, imóveis, num círculo fixo. É o que dá ao desporto a sua tecnicalidade particular e a sua igualdade de hipóteses: impossível compensar um mau gesto com um ímpeto.
Esta regra dos pés não é portanto um pormenor de forma: é a definição mesma da pétanque. Transgredi-la é jogar a outra coisa. O regulamento oficial lembra-o desde o artigo 6, logo após as definições de base. Todas as federações filiadas na CMSB (Confederação Mundial do Desporto Boles) aplicam a mesma regra, jogue-se em Marselha, em Banguecoque ou em Madagáscar.
📜A etimologia lembra-o: « pétanque » vem do provençal pèd tanca, literalmente « pé cravado ». Antes de 1907 (data da codificação em La Ciotat por Jules Lenoir), jogava-se a « a longa » com ímpeto. A regra do pé imóvel nasceu precisamente para permitir a um jogador artrítico continuar a jogar. Conhecer a origem ajuda a compreender porquê o regulamento é intransigente.
2.O que diz exatamente o regulamento FFPJP
O artigo 6 do regulamento oficial FFPJP-CMSB estipula, na sua versão 2026 atualizada: « Os pés devem estar inteiramente dentro do círculo e não invadir as suas bordas. Não o devem deixar, nem ser levantados duma maneira completa, até que a bole lançada tenha tocado o solo. »
Quatro obrigações cumulativas decorrem deste texto curto mas denso:
1. Os dois pés devem estar inteiramente dentro do círculo (não sobre a linha, não ultrapassando).
2. Devem manter-se em contacto com o solo do início ao fim do lançamento.
3. Não devem deixar o círculo antes do fim do lançamento.
4. O « fim do lançamento » é definido como o instante em que a bole toca o solo, não o instante em que ela sai da mão.
3.Posição no círculo: as 4 obrigações
Detalhemos cada uma das obrigações, pois é no detalhe que nascem as faltas.
Obrigação 1 — Pés inteiramente no círculo
O círculo oficial mede entre 35 e 50 cm de diâmetro interior (artigo 7 FFPJP). Os vossos dois pés devem lá caber inteiramente, sem transbordar. Um dedo do pé que ultrapassa, mesmo 1 cm, constitui já uma falta potencial, particularmente vigiada em concurso oficial.
Obrigação 2 — Pés em contacto com o solo
Durante todo o gesto, os vossos pés ficam colados ao solo. Qualquer descolagem, mesmo meio centímetro, pode ser assimilada a um « pé levantado » sancionável. Os atiradores que se erguem na ponta dos pés tomam um risco regulamentar (mesmo se a tolerância arbitral é geralmente ampla enquanto o pé ficar « globalmente » cravado).
Obrigação 3 — Não deixar o círculo
Durante e logo após o gesto, ficais dentro do círculo. Um passo em frente para « equilibrar » o vosso gesto, um deslocamento reflexo para seguir a bole com o olhar… tantas faltas que um árbitro veria imediatamente.
Obrigação 4 — Até que a bole toque o solo
É a subtileza pior compreendida do regulamento. Muitos pensam que se pode sair logo que a bole saiu da mão. Falso: o regulamento oficial impõe esperar que a bole tenha tocado o solo, o que leva uma fração de segundo a mais. Esta precisão conta, pois muitos jogadores saem um pouco cedo demais.
4.Quadro recapitulativo das faltas e sanções
O regulamento FFPJP não invalida sistematicamente a bole à primeira erro. Eis a grelha de leitura oficial:
| Falta cometida | Sanção prevista | Bole |
|---|---|---|
| Pé que ultrapassa ligeiramente o círculo | Aviso | Válida |
| Pé levantado durante o lançamento (claro) | Falta | Nula se deslocada |
| Pé que sai antes de a bole tocar o solo | Falta | Bocha anulada |
| Reincidência após 3 avisos | Desqualificação | Do jogador |
| Círculo deslocado durante o lançamento pelo pé | Falta | A rejogar |
| Pé pousado sobre a linha do círculo | Tolerado | Muitas vezes avisada |
5.Quando se pode finalmente sair do círculo?
Saída autorizada: logo que a bole tocou o solo pela primeira vez. Não antes. E mesmo depois, é preciso sair por trás do círculo (caminhando para trás ou de lado), nunca passando por cima do círculo para ir recuperar a bole. Sair « para a frente » é malvisto e pode ser verbalizado em certos concursos estritos.
Caso particular muitas vezes esquecido: se atirais e a vossa bole falha completamente o but (sem contacto com o alvo visado), deveis mesmo assim esperar que ela toque o solo antes de sair. A regra não faz nenhuma distinção entre uma bole jogada e uma bole conseguida ou falhada.
Nível de rigor aplicado conforme o contexto de jogo Concurso nacional oficial · 10/10 Árbitro presente, tolerância mínima. Cada pé que ultrapassa é registado. Partida amigável no clube · 4/10 Flexibilidade frequente, mas as faltas graves continuam sancionadas por tradição.6.Casos particulares e exceções oficiais
O regulamento FFPJP prevê algumas exceções à regra dos pés, pouco conhecidas mas bem reais.
Pessoas com mobilidade reduzida : um jogador em cadeira de rodas pousa as rodas traseiras no círculo. A regra adapta-se ao apoio. Jogador amputado ou deficiente dum membro : basta um só pé no círculo, sob reserva de autorização médica reconhecida pela comissão FFPJP handi-pétanque. Jogadores muito altos : nenhuma derrogação prevista. Se calçais o 47, os vossos pés devem mesmo assim caber inteiramente num círculo de 35 cm — o que exige usar um círculo maior (os círculos rígidos FFPJP autorizados vão até 50 cm).
🦶 O conselho da PaquitaPara verificar a vossa conformidade, façam um teste simples no treino: peçam a um parceiro para filmar as vossas 10 últimas bole em plano geral sobre os pés. Ficarão surpreendidos ao ver quantas vezes descolam os calcanhares sem dar conta. É um dos defeitos mais rápidos a corrigir… e um dos mais rentáveis em concurso oficial.
7.Avisos e sanções: como funciona
O regulamento FFPJP aplica uma escala progressiva em concurso oficial: 1.º aviso = observação verbal pelo árbitro; 2.º aviso = bole anulada; 3.º aviso = exclusão do jogador pelo resto da partida; 4.º aviso (reincidência em competição) = desqualificação da equipa pela duração do concurso.
Em jogo livre ou amigável, estas sanções não se aplicam evidentemente de forma formal, mas a regra de fair-play quer que se respeitem as bases. Se o vosso adversário vos fizer notar educadamente um pé levantado, tomai-o como um sinal de respeito pelo jogo e corrigi-vos. Para compreender a sequência lógica desta regra, leiam também os nossos regras pouco conhecidas e o nosso artigo complementar sobre o pé que ultrapassa o círculo.
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📗 Descobrir o livroFAQ — As suas perguntas frequentes
Não, o regulamento oficial FFPJP não exige que os pés estejam juntos. Exige apenas que estejam inteiramente dentro do círculo e em contacto com o solo durante o lançamento. Podeis afastá-los à vossa conveniência, contanto que fiquem no círculo. A regra fala de pé « não levantado duma maneira completa ». Uma ligeira descolagem do calcanhar é geralmente tolerada, mas uma descolagem nítida e visível pode ser sancionada pelo árbitro, sobretudo em concurso oficial. O melhor é manter o pé bem assente. O árbitro pode anular a vossa bole. Em jogo amigável, o adversário pode pedir para rejogar a bole. Esta regra é uma das mais frequentemente infringida pelos principiantes, mas é explícita no artigo 6 do regulamento oficial FFPJP-CMSB. Sim, salvo derrogação médica oficial (handi-pétanque). O regulamento exige que os dois pés estejam inteiramente dentro do círculo, em contacto com o solo, do início do lançamento até ao contacto da bole com o terreno. O regulamento diz « não invadir as suas bordas ». Em teoria, sim é uma falta. Na prática, a tolerância arbitral é ampla para os círculos traçados na areia. Com os círculos rígidos em plástico, a regra é aplicada mais estritamente pois o limite é visível. 📎 Artigos relacionados RegulamentoPé que ultrapassa o círculo: falta ou não? RegulamentoAs infrações aos pés que os árbitros sancionam Regulamento As regras desconhecidas da petanca© Pétanque de Paquita — petanqueland.fr ·
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Artigo fundamentado no regulamento oficial FFPJP-CMSB da pétanque (artigo 6). A adaptar conforme os usos locais do clube, que podem precisar sem contradizer as regras federais.