1.O que diz verdadeiramente o artigo 19 do regulamento
O artigo 19 do regulamento oficial FFPJP-CMSB define a bole nula e precisa em que circunstâncias uma bola saída do terreno perde todo o valor. Distingue duas situações bem diferentes: o terreno livre (partidas amistosas, lugares não delimitados, jardim) e o terreno delimitado (concursos, quadros traçados, boulodromo com linhas).
A regra geral é simples: uma bola saída é nula. Mas a definição de saída muda radicalmente segundo o tipo de terreno. Em terreno livre, uma bola permanece válida enquanto para na zona autorizada (frequentemente um quadro informal de 1 m à volta do ponto de queda previsto). Em terreno delimitado, a regra é mais rigorosa: ultrapassar totalmente a linha perdida anula a bola.
2.Terreno livre: a regra da zona autorizada
Em terreno livre, o regulamento prevê uma zona de jogo autorizada mínima. O bom senso e a prática amistosa querem que uma bola permaneça válida enquanto não sair desta zona, que corresponde frequentemente a um quadro virtual à volta do cochonnet. Se joga num jardim sem qualquer linha, a sua bola é válida a menos que esteja visivelmente saída da zona de jogo acordada com a equipa adversária.
Em caso de dúvida, a regra é a favor da bola : uma bola que para a 5 metros do cochonnet, sem ter ultrapassado qualquer obstáculo marcado, permanece válida. Esta tolerância desaparece assim que há traço no solo.
3.Terreno delimitado: a regra da linha perdida
Em terreno delimitado (concurso oficial, boulodromo com linhas, quadros numerados), é a linha perdida que determina se a bola é nula. O regulamento oficial precisa que uma bola é nula assim que ultrapassa totalmente a linha perdida, ou seja, toda a bola passa para além.
Esta regra aplica-se também enquanto a bola está em movimento: se saiu uma vez (totalmente) e depois regressa ao jogo (por um ressalto num obstáculo, por exemplo), permanece anulada. É o que se chama ter tocado a linha perdida. A bola não recupera a valididade ao reentrar.
A regra muda segundo a bola estar ainda em movimento ou já parada. Em movimento, a ultrapassagem total anula a bola, mesmo que ela regresse. Parada, a bola é nula apenas se estiver inteiramente para além da linha — se a menor parte ainda estiver em jogo, a bola permanece válida.
4.Tabela recapitulativa: terreno livre vs terreno delimitado
Eis as principais situações encontradas nos terrenos e a regra aplicável segundo o tipo de jogo:
| Situação | Terreno livre | Terreno delimitado |
|---|---|---|
| Bola parada a 5 m do but | Válida | Válida se dentro do quadro |
| Bola sobre a linha perdida (a cavalo) | N/A | Válida |
| Bola inteiramente ultrapassada | Nula se zona ultrapassada | Nula |
| Bola saída e depois regressada | Válida | Nula |
| Bola tocada por projeção | Válida | Segundo a situação |
| Bola resaltada num obstáculo | Válida | Segundo o obstáculo |
5.Caso n1 - A bola para na linha
A sua bola para a cavalo sobre a linha perdida : uma metade no jogo, a outra fora. Conta? SIM. O regulamento é explícito: a bola só é nula se estiver inteiramente ultrapassada. A menor fração de bola dentro chega para a validar.
Na prática, esta regra alimenta muitas discussões no terreno. Melhor é acordar antes de julgar: coloca-se perpendicular à linha, observa-se se a projeção no solo da bola está completamente para além ou não. Em caso de dúvida, apela-se ao árbitro ou decide-se a favor da validade.
6.Caso n2 - A bola sai e depois regressa
Atira um ferro, a bola adversária sai em flecha, ultrapassa a linha perdida permanecendo em movimento, e depois ressalta num obstáculo (muro, batente, saco) e regressa ao terreno. Esta bola é válida? NÃO, é nula em terreno delimitado.
O regulamento fala de tocar a linha perdida no sentido em que a bola ultrapassou totalmente a linha, mesmo temporariamente. É anulada definitivamente nesse momento e deve ser retirada do jogo. Esta regra parece dura mas evita as discussões sobre a validade de um ressalto miraculoso.
7.Caso n3 - A bola ultrapassa no ar e depois toca o solo
A sua bola sai no ar (nunca toca o solo no terreno), aterra fora dos limites, e depois rola e acaba no terreno. É nula, porque tocou o solo pela primeira vez no exterior do terreno delimitado. O regulamento considera que uma bola deve ter tocado o solo na zona autorizada em primeiro lugar para ser válida.
É uma regra que surpreende muitos os principiantes. O princípio: a zona de aterragem conta mais do que a zona de paragem. Uma bola que aterra por cima do muro não é considerada como jogada regularmente.
8.Caso n4 - O terreno desprovido de linhas
Num terreno de aldeia, sem qualquer linha traçada, como julgar? O regulamento remete para a convenção entre as equipas antes da partida: delimita-se à sebe, ao muro, à fileira de bolas da mão anterior. Na falta de acordo prévio, o princípio é que apenas a zona de jogo razoável é válida — uma bola que se afasta manifestamente (5, 10 metros para além) é considerada nula por bom senso.
Para evitar estas situações, o regulamento recomenda colocar uma linha perdida assim que há dúvida: um objeto visível (saco, tábua, corda) que materializa a fronteira. É a garantia de zero contestação durante a partida.
Antes de cada partida em terreno livre, acordem 30 segundos com a equipa adversária para definir a zona de jogo. Apontem com o dedo: até ao banco, até à sebe, até à fileira de pavés. Este hábito evita 99 % das discussões sobre as bolas saídas — e preserva a convivialidade da partida.
Para ir mais longe, consulte o nosso artigo sobre o círculo de lançamento e o seu traçado e o nosso dossiê sobre a regra dos pés. A nossa rubrica regras pouco conhecidas e os nossos ferramentas gratuitas completam estas explicações.
Terrenos delimitados, solos acidentados, zonas perdidas: cada configuração impõe os seus próprios ajustamentos de jogo. Este guia mostra como ler um terreno e adaptar a sua estratégia, do concurso departamental às finais de Nacional.
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