1.A boa confiança contra a má
A boa confiança ajuda-o a executar o que decidiu. Simplifica o gesto, liberta a intenção e reduz as dúvidas parasitas. A má confiança, essa, faz-lhe acreditar que a situação já não precisa de ser analisada. Já não joga a mão; joga a sua imagem de jogador seguro de si.
Esta distinção é essencial. Um jogador pode ser muito confiante e muito lúcido. Outro pode ser igualmente confiante, mas totalmente desligado do terreno. Num caso, a confiança sustenta o desempenho. No outro, ela substitui o pensamento.
2.Quando a segurança se torna perigosa
A viragem dá-se muitas vezes depois de uma série de êxitos, de um adversário tido como mais fraco ou de um resultado favorável. O jogador começa a acreditar que o jogo lhe pertence. Abrevia a rotina, escolhe mais rápido, olha menos para o solo e força certas bolas.
Este desleixo disfarçado de potência é temível. Faz perder em mãos que podiam ter sido geridas de forma simples. Muitas partidas viram não porque um jogador duvida, mas porque deixa demasiado cedo de ser preciso.
3.O que o excesso de confiança faz ao jogo
O primeiro efeito é a diminuição da qualidade de leitura. Sobrestimam-se as hipóteses num tiro delicado, minimiza-se o incómodo de uma saliência, pensa-se que um apoio "médio" será suficiente. O segundo efeito é a falta de disciplina técnica: o ritmo desregula-se, a concentração baixa, a rotina torna-se vaga.
Na pétanque, o excesso de confiança nem sempre faz falhar de forma espetacular. Produz muitas vezes pequenos erros repetidos. Ora, são estes que custam mais caro numa partida longa.
4.O custo coletivo da certeza
Em equipa, o jogador demasiado seguro de si ouve menos. Interrompe as análises, recusa os avisos e impõe uma escolha como uma evidência. Mesmo que tenha talento, esta postura fragiliza a qualidade coletiva. O parceiro já não ousa matizar, o meio já não ousa propor uma opção diferente.
A longo prazo, esta confiança mal gerida também danifica a coesão. O verdadeiro líder tranquiliza sem esmagar. O jogador em excesso de confiança, esse, confunde autoridade e fechamento.
5.Os sinais a detetar
Os sinais são visíveis: rotina encurtada, escolha anunciada demasiado rápido, ausência de verificação do resultado, comentários do tipo "passa sozinho", irritabilidade quando o contradizem. O problema não é a confiança, mas o desaparecimento do controlo à sua volta.
Detetar estes sinais cedo permite evitar a queda. Quanto mais se espera, mais o excesso de confiança se transforma em cegueira total.
6.Como voltar a uma confiança própria
O melhor antídoto consiste em ligar-se a evidências simples: reler o terreno, anunciar o objetivo exato da jogada, manter a mesma rotina que a 0-0. A confiança deve ajudá-lo a executar, não dispensá-lo de verificar.
Outro método eficaz é aceitar a contradição útil. Se o seu parceiro lhe pedir para rever a escolha, faça-o pelo menos uma vez. Este micro-travão impede muitas decisões tomadas pelo ego.
A confiança torna-se perigosa assim que o faz acreditar que os detalhes já não existem.
| Sinal | Confiança saudável | Excesso de confiança |
|---|---|---|
| Antes de jogar | Verifica outra vez | Decide demasiado rápido |
| Após dois êxitos | Continua metódico | Julga-se intocável |
| Parceiro nuance | Escuta e depois decide | Varre a observação |
| Em terreno traiçoeiro | Respeita a situação | Subestima o incómodo |
Se ouvirem na vossa cabeça “vai passar”, substituam de imediato por “o que é que ainda verifico?”. Esta simples mudança protege imenso de erros parvos.
Um quadro claro para construir uma confiança sólida sem escorregar para o ego, a precipitação ou a negação do terreno.
Ver o recurso7.Perguntas frequentes
Não. É preciso sobretudo distinguir a confiança que sustenta a rotina daquela que a substitui.
Porque têm verdadeiras razões para estarem confiantes e podem crer que isso basta em todas as situações.
Formulando uma verificação simples e concreta em vez de uma crítica frontal.
Sim, porque dá a impressão de que a margem de erro é maior do que é na realidade.
Manter exatamente a mesma rotina de decisão tanto nos momentos fáceis como nos momentos tensos.